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Já possuo dois livros publicados: o primeiro com o Patrocínio da Prefeitura de Juiz de Fora, intitulado "Os Sonhos da Favela",
é um paradidático pré-adolescente que aborda temas como violência, drogas, gravidez adolescente, oportunidades e decisões.e o segundo pela Editora Uirapuru, intitulado "As cores do Meu Brasil" é um livro infantil que conta a história da diversidade do nosso Brasil dando ênfase à cultura Afro-brasileira.

Saudações literárias.


Vera Ribeiro Guedes.





OS SONHOS DA FAVELA

OS SONHOS DA FAVELA
TRABALHO REALIZADO PELOS ALUNOS DA ESCOLA MUNICIPAL HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA - JUIZ DE FORA - MG

AS CORES DO MEU BRASIL

AS CORES DO MEU BRASIL
Livro infantil de cultura afro-brasileira

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

ÍNDIA JACIARA, SEU POVO E SEU PRÍNCIPE (DIA DO ÍNDIO)


Jaciara era uma linda indiazinha, de cabelos negros como a noite, lisos, compridos, de lindas tranças enfeitadas com torçais coloridos. Seus olhos, também negros, brilhavam à luz do dia e faziam da indiazinha a mais bela filha da aldeia. Sua pele, além de queimada pelo sol, era avermelhada pelo urucum que tingia o corpo em dia de festa. Colares de contas, tangas de penas de aves coloridas completavam seu visual, tornando-a ainda mais bela.

Jaciara era feliz, corria pela mata, colhendo flores para enfeitar a oca, sua casa, feita de pau a pique e coberta de palha. Às vezes ajudava os outros índios na caça; outras, nadava no rio, ou navegava em canoas, pescando peixes frescos para o almoço, que era servido acompanhado de mandioca, batata-doce e outras raízes.

A mata tinha seus perigos, mas Jaciara estava acostumada. Sua Tribo não conhecia, ainda, a chamada civilização. Viviam livres e possuíam tesouros incalculáveis: a própria natureza.

Jaciara cresceu e sua beleza era cada vez maior. Encantava todo o povo da tribo, que nas noites de lua cheia, dançava ao redor da fogueira, agradecendo ao deus Tupã, pelo sol e pela chuva. O Pajé coordenava a festa e possuía uma grande quantidade de ervas que recolhia na mata, que serviam de remédio para curar todos os males da tribo: de mordida de mosquito à picada de cobra, pois não existiam médicos, nem hospitais, mas a natureza é sábia.

Um belo dia, em uma das trilhas que Jaciara costumava percorrer, surgiu um jovem, de pele muito alva, cabelos claros, olhos verdes como a mata. Seu nome era Pedro e havia se perdido do grupo de estudantes que, em excursão, caminhava pelas trilhas da floresta. Pedro havia ficado para trás, pois, encantou-se com o Mico-Leão-Dourado, que encontrou e voltou para vê-lo de perto.

Muito cansado, com fome, com frio e muito medo, Pedro chegou à Tribo, nunca antes visitada por outros povos.

Os índios se assustaram... Armaram-se, com seus arcos e flechas e, de tacape na mão, o Cacique, que era o chefe da Tribo, foi ao encontro do rapaz que tremia de medo.

Ao vê-lo tão fragilizado, o Cacique ordenou aos demais que se desarmassem. Não havia perigo e falou em sua linguagem Tupi-Guarani: “- Homem branco está com fome”.

De longe, Jaciara o observava. Não havia na Tribo índio mais bonito do que ele. Apaixonou-se à primeira vista e sonhou com seu grande amor.

Pedro também a viu e não pôde deixar de notar sua beleza – “Como ela é linda!” – pensava.

Foi um custo para conseguir se comunicar e contar aos índios, através de gestos, como se perdera na mata. Mas foi muito bem recebido pela Tribo e ficou por lá alguns dias, até se recuperar do susto.

Aprendeu a fazer cerâmica e artesanato, a caçar e a pescar. Pintou seu corpo em dia de festa. E o olhar de Jaciara sempre se encontrava com o dele.

Os dois jovens mal conseguiam trocar algumas palavras, mas já conheciam o sinal do coração e sabiam o final desta história: estariam eternamente apaixonados.

Porém a Tribo era muito distante da civilização e Pedro sabia que a realidade de sua amada era muito diferente da dele. Jaciara jamais se acostumaria em sua selva de pedras e ele, por sua vez, não poderia viver longe da cidade, de seus amigos, de sua família, que já deveriam estar muito preocupados com o seu desaparecimento.

E chegou o dia da partida. Jaciara deu um longo beijo em seu príncipe, que prometeu voltar. Agradeceu a todos a acolhida que tivera e os dias felizes que passara na Tribo e prometeu não contar a ninguém sobre o paraíso descoberto, para que a civilização não tentasse destruir a paz e a pureza daquele lugar. Os índios o acompanharam na trilha e ensinaram o caminho de volta, mas, em seu coração, uma tristeza se instalara: o sorriso de Jaciara não sairia jamais do seu pensamento.

De volta à cidade, desejou nunca ter entrado na mata e conhecido a paz e a tranqüilidade daquele povo simples, sábio e sincero.

Tentou voltar, mas não conseguiu. Não achava mais a trilha que o levou. Como num passe de mágica, a mata cobriu seu rastro e seu sonho de amor ficou para trás. Na Tribo, Jaciara chorava escondida.

Os anos se passaram... Cada um viveu sua história... Até que um dia, a civilização conheceu a Tribo, o desmatamento levou o homem branco até lá e destruíram a paz do povo de Jaciara. Trocaram seus costumes. Vestiram neles roupas feitas de tecido; conheceram, o rádio, a televisão, o computador... A violência... O egoísmo... A luta pela terra... A destruição da natureza... E as trilhas da mata, transformadas em estradas, trouxeram Pedro até Jaciara, que, apesar dos anos, continuava bela, com seus longos cabelos negros e seu sorriso inocente.

Não disseram nada um ao outro, apenas sorriram.

Pedro lutou bravamente, ao lado de sua amada, na defesa de seu povo, pela posse de suas terras. E, em uma dessas violentas e injustas batalhas, morreram de mãos dadas, e, neste lugar, nasceram duas lindas e desconhecidas flores, completamente diferentes uma da outra, mas com o mesmo perfume: O Perfume do Amor.

VERA RIBEIRO GUEDES
ILUSTRAÇÃO: MARCELO MANHÃES

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